Depois de casa roubada...trancas na porta
Depois de casa roubada…trancas na porta
Por cá, como é por demais sabido, desde há muito que as campanhas de planeamento familiar não se cansam de propagandear a necessidade de esclarecer os casais sobre o assunto. Só que apostaram no cavalo errado; assim as suas campanhas não eram senão aconselhar os casais a terem um filho ou dois (o que já era quase um escândalo), chegando nós agora a ter uma taxa de fecundidade das mais baixas, senão a mais baixa da União Europeia. Com este cenário e o aumento da esperança de vida, a Segurança Social está quase em ruptura, porque não há renovação da sociedade – somos cada vez mais um país de idosos. Finalmente o Governo (ou desgoverno) começou a lançar medidas (depois da casa roubada…trancas na porta) para travar e fazer retroceder tal tendência, só que é sempre mais rápido destruir que construir, e assim as referidas medidas poderão vir a ter qualquer efeito só daqui a muitos anos. Para já os reformados vêem a sua vida cada vez mais complicada e os casais novos a quem acenam com benesses para ter mais que um ou dois filhos, seguem aquele ditado: “quando a esmola é grande, o pobre desconfia”. No cavalo certo apostou o governo alemão – não há futuro sem valores. A opinião é da ministra alemã para Família, a democrata cristã Úrsula von der Leyen. A melhor garantia é dar às crianças desde muito cedo “valores como o respeito, a responsabilidade, a confiança e a honestidade”. Uma das principais causas da quebra da natalidade está em que as mulheres adiam cada vez mais a primeira maternidade; as licenciadas universitárias são as mais afectadas e 40 % delas não chega sequer a ter filhos. Esperam uma estabilidade económica e uma segurança laboral que chega muito tarde. Para obstar a isso o governo encontrou um ponto de equilíbrio – quando um dos progenitores deixe o trabalho para cuidar de um filho recém-nascido, receberá do Estado 67 % do seu salário durante 12 meses. A baixa poderá aumentar mais dois meses se o outro progenitor também abandonar o trabalho ou reduzir o seu horário laboral. A medida vai custar ao Estado muitos milhões de euros por ano, mas o Ministério da Família conta que muitos pais acolham esta medida e assim se possa aumentar a natalidade. O Canadá optou pelo subsídio de 71 euros mensais por cada filho menor de seis anos. O novo subsídio responde à ideia de ajudar directamente as famílias para que optem pela fórmula que mais lhes convenha: levar os filhos para um infantário, arranjar quem deles cuide em casa ou que um dos pais não trabalhe fora de casa. O projecto tem sido criticado pelos que advogam que favorece as famílias com um só salário, porque o subsídio será agravado e é aplicado ao cônjuge que ganhe menos. O governo responde que o subsídio para todos melhora a situação de todas as famílias com filhos pequenos, pois junta a todas as demais ajudas o desagravamento das despesas com os infantários. No capítulo familiar são incluídos 250 milhões de dólares anuais para criar novos lugares nos infantários, mas isto não satisfaz os que acham que o governo, ao abandonar o plano liberal para os infantários, faz muito pouco para melhorar a disponibilidade e a qualidade da educação infantil. É realmente muito difícil agradar a todos e por cá as medidas, a longo prazo, que o governo preconiza também ficam muito a desejar. Lutaram durante muito tempo pelo planeamento familiar com a política do filho único e agora perante o envelhecimento da população não sabem como arranjar dinheiro para os pensionistas idosos, cada vez em maior número, devido ao aumento da esperança de vida. Num futuro não muito longínquo cada pessoa no activo tem que descontar para dois na reforma. Mesmo com grande maioria de reformas muito baixas, as contas tornam-se difíceis. Maria Fernanda Barroca
